terça-feira, 23 de maio de 2017

Importa Obedecer antes a Deus do que aos homens

Homilia realizada em 07 de Abril de 2016 

Importa Obedecer antes a Deus do que aos homens.




Link para download do áudio: Importa Obedecer antes a Deus


Leituras do dia:
Primeira Leitura At 5,27-33
Evangelho Jo 3,31-36





Pequeno trecho da homilia


"...Não há força do Espírito, não há poder do Espírito, não há ação do Espírito sem obediência... Aqueles que se dizem falar em nome de Deus... e não obedecem a sua Igreja, não obedecem a Pedro que fala em nome dos doze apóstolos, neles não age o poder do Espírito de Deus. E todo aquele que quer colocar o carisma, quer colocar o seu dom, colocar a sua experiência pessoal acima de Deus e da obediência às normas que Deus colocou, ali não sopra o Espírito de Deus. O Espírito de Deus só opera naqueles que obedecem. Sem obediência não há graça...

É o Espírito Santo que guia a Igreja e o Espírito Santo não se contradiz... O Espírito Santo não pode dizer "a partir de hoje isso é assim e antes o que foi feito era errado"...
Em dois mil anos o espírito de Deus conduziu a Igreja, até hoje... 
Cuidado com aqueles que dizem possuir o Espírito sem obedecer a Deus, aqueles que se dizem donos do Espírito... Mas não obedecem a Deus, o Espírito Santo não se contradiz... O Espírito Santo é verdadeiramente presente na história da Igreja e guiou a Igreja, guiou os santos, guiou os papas e guiou o Magistério da Igreja... pra que pudéssemos celebrar a nossa fé aqui como estamos celebrando, pra que pudéssemos celebrar a Eucaristia como estamos celebrando, porque foi o Espírito que guiou a Igreja. 

Na obediência dolorida de obedecer a Igreja, na obediência dolorida de renunciar a si mesmo... Este é o caminho do cristão, este é o caminho da Igreja, aceitar os caminhos do Senhor, aceitar o Espírito que conduz... Mas não conduz para onde eu quero, não sopra para onde eu quero, sopra para onde Ele quer."


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica

Homilia realizada em 01 de maio de 2016 

Igreja Católica e Apostólica




Padre Wendell nos fala, nesta homilia, sobre dois atributos da Igreja: CATÓLICA E APOSTÓLICA.

Leituras do dia:

Primeira Leitura At 15,1-2. 22-29
Segunda Leitura Ap 21,10-14. 22-23
Evangelho Jo 14,23-29

Trecho da segunda leitura:
10 Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino.12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel.13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente.
Pequeno trecho da homilia: "O que significa essas doze portas voltadas para cada região? Tendo um anjo, uma tribo de Israel e um apóstolo. Significa a catolicidade da Igreja. Essa cidade [a Cidade Santa] é universal, ela não pertence aos judeus... Esta Igreja pertencente à todos os povos, nações e línguas. Todos esses povos entrarão por estas portas... Toda humanidade entrará por essas portas. Viverá e se alimentará dessa presença do Cordeiro, que será tudo em todos. A IGREJA É PARA TODOS. É o que encontramos na primeira leitura de hoje. Quando alguns judeus disseram... 'A salvação virá pela circuncisão...' Paulo e Barnabé, voltam a Jerusalém, consultam os apóstolos e junto com eles e dizem: 'Não! A salvação vem de Nosso Senhor Jesus!... Porque decidimos, o Espírito Santo e nós!...' Esta realidade... é verdade de fé. O Espírito Santo auxilia a Igreja, é defensor da Igreja contra todo o mal... A Igreja tem a assistência do Espírito Santo... É por esta assistência do Espírito Santo que nós dizemos que ela é APOSTÓLICA, fundamentada nos doze apóstolos, não somente fundada pelos apóstolos há 2 mil anos atrás, mas ainda fundamentada nos apóstolos... A missão dos apóstolos continua...
É por isso que quando a Igreja fala. ela diz, 'o Espírito Santo e nós definimos que...' Foi o que a Igreja fez nesses dois mil anos. Se levantam tantas doutrinas e ela diz: o Espírito Santo e nós definimos que 'Jesus Cristo é verdadeiro Deus... o Espírito Santo é verdadeiro Deus... Maria nasceu concebida sem a mancha do pecado original', são verdades da fé que a Igreja usa essa mesma expressão... 'o Espírito Santo e nós definimos que'. Por isso a Igreja se apresenta ao mundo como: Una, Santa, Católica e Apostolica... essa é uma verdade de fé."




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Novena dos estudantes e concurseiros a São José de Cupertino




Novena a São José de Cupertino



Oração preparatória para todos os dias: 

Gloriosíssimo São José de Cupertino, protetor dos estudantes, não desprezeis as súplicas que  dirijo implorando vosso auxilio nas provas de meus estudos.
Alcançai-me do Senhor que, como verdadeira fonte de luz e sabedoria, dissipe as trevas de meu entendimento, o pecado e a ignorância, instruindo minha língua e difundindo em meus lábios a graça de sua benção.
Dai-me agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, e no momento do exame, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao continuar e perfeição ao acabar, se assim convém a maior glória de Deus e proveito de minha alma. Amém.







Meditar às máximas e rezar as jaculatórias do dia correspondente:

PRIMEIRO DIA
Máxima: "o que tem fé é Senhor do mundo."
Jaculatória: São José de Cupertino, espelho de fé, rogai por mim.

Segundo Dia
Máxima: "quem tem esperança em todo lugar, não faz pouco."
Jaculatória: São José de Cupertino, espelho de esperança, rogai por mim.

Terceiro Dia
Máxima: "Tudo se deve fazer para voltar propicio a misericórdia divina até o próximo."
Jaculatória: São José de Cupertino, fonte do caridade, rogai por mim.

Quarto Dia
Máxima: "Em qualquer tentação, não confieis nunca em vós mesmos; mas levantando o olhar ao crucifixo, apoiarás vos inteiramente no Salvador, e logo nada temeras, que Deus não deixara de ser vos fiel se vós permaneceis com Ele."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de humildade, rogai por mim.

QUINTO DIA
Máxima: "A obediência é o mais eficaz exorcismo contra o demônio."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de prudência, rogai por mim.

SEXTO DIA
Máxima: "quem tem paciência em todo lugar, não faz pouco."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de paciência, rogai por mim.


SÉTIMO DIA
Máxima: "Os santos não se fazem no Paraíso, senão na terra, por onde é necessário padecer neste mundo para poder gozar do Paraíso."
Jaculatória: São José de Cupertino, exemplo de penitência, rogai por mim.

OITAVO DIA
Máxima: "Refúgio de pecadores, Mãe de Deus, recordai de mim."
Jaculatória: São José de Cupertino, tesouro de graça, rogai por mim.

NONO DIA
Máxima: "Sendo Vós criado para amar e servir a Deus, vos será pedida conta de se tem amado a vosso Criador."
Jaculatória: São José de Cupertino, fogueira de amor de Deus, rogai por mim.

Oração Final para todos os dias:

Deus, nosso Pai, hoje vos pedimos pela intercessão do vosso servo São José de Cupertino que envieis sobre nós o Espírito Santo e plenificai-nos com vossos dons celestiais:

Vinde Espírito Criador, a nossa alma visitai 
e enchei os corações com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor 
de Deus excelso dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai, 
por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, 
nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos a vossa paz, 
se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer 
que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.
Amém!

Rogai por nós, Bem-Aventurado São José de Cupertino, 
para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!

São José Cupertino, rogai por nós.
Espírito Santo, iluminai-nos.
Nossa Senhora, Imaculada Esposa do Espírito Santo, rogai por nós.
Sagrado Coração de Jesus, sede da Divina Sabedoria, iluminai-nos.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Hino para o Ano Santo (Jubileu) da Misericórdia em Português (vídeo, letra e partitura)





Hino Oficial do Ano da Misericórdia

Partitura órgão e coro:
http://www.cnbbsul1.org.br/wp-content/uploads/downloads/2015/12/Coro-e-orgão.pdf


Acordes cifrados:
http://www.cnbbsul1.org.br/wp-content/uploads/downloads/2015/12/Acordes-cifrados.pdf


Misericordes sicut Pater ( 4x)
Demos graças ao Pai, porque ele é bom – in aeternum misericordia eius 
Ele criou o mundo com sabedoria – in aeternum misericordia eius
Conduz seu povo na história – in aeternum misericordia eius
Perdoa e acolhe os seus filhos – in aeternum misericordia eius


Misericordes sicut Pater (4x)
Demos graças ao Filho, Luz das nações – in aeternum misericordia eis
Ele nos  amou com um coração de carne – in aeternum misericordia eius
Dele recebemos, a Ele nos doamos – in aeternum misericordia eius.
Abra-se o coração a quem tem fome e sede – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)
Peçamos ao Espírito os sete santos dons – in aeternum misericordia eius
Fonte de todo bem, dulcíssimo alívio – in aeternum misericordia eius
Por Ele confortados, ofereçamos conforto – in aeternum misericordia eius
O amor espera e tudo suporta – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)
Peçamos a paz ao Deus de toda paz – in aeternum misericordia eius
A terra espera o Evangelho do Reino – in aeternum misericordia eius
Graça e alegria a quem ama e perdoa – in aeternum misericordia eius
Serão novos os céus e a terra – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)

Misericordes, Misericordes, Misericordes sicut Pater

Misericordes, Misericordes, Misericordes, Misericordes sicut Pater

Sicut Pater,

Misericordes, Misericordes sicut Pater.




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Os Padres da Igreja sobre o Espírito Santo (VII) - São Leão Magno (Século V)

O ESPÍRITO SANTO é o inspirador da fé, o Mestre da ciência, a fonte do amor,
 o selo da castidade, o artífice de toda virtude.




Todos os corações sabem, caríssimos, que a solenidade de hoje deve ser celebrada como uma das festas mais importantes. Ninguém ignora ou contesta a reverência com que se deve festejar este dia, consagrado pelo Espírito Santo com o milagre excelente de seu dom. Sendo, na verdade, o décimo dia depois daquele em que o Senhor subiu ao céu, para se assentar à direita de Deus, refulge como o dia qüinquagésimo após a sua Ressurreição, e traz em si grandes mistérios, referentes a antigos e novos sacramentos, na mais clara manifestação de que a Graça foi prenunciada pela Lei e a Lei cumprida pela Graça. Sim, do mesmo modo como outrora, no monte Sinai, a Lei fora dada ao povo hebreu, libertado dos egípcios, no dia qüinquagésimo após a imolação do cordeiro, assim também, após a Paixão de Cristo, imolação do verdadeiro Cordeiro de Deus, é no qüinquagésimo dia desde sua Ressurreição que se infunde o Espírito Santo nos apóstolos e na multidão dos fiéis. O cristão diligente facilmente vê como os inícios do Antigo Testamento serviram aos primórdios do Evangelho, e como a segunda Aliança foi criada pelo mesmo Espírito que instituiu a primeira.
Com efeito, diz a narrativa dos apóstolos:
“Como se completassem os dias de Pentecostes e estivessem todos os discípulos juntos no mesmo lugar, repentinamente se fez ouvir do céu um ruído como o de vento que soprava impetuosamente, e encheu toda a casa onde estavam. Apareceram-lhes então como línguas de fogo, que se puseram sobre cada um deles; e todos ficaram cheios do Espírito Santo, começando a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia falarem” [1].
É veloz a palavra da Sabedoria, e onde Deus é o Mestre quão rapidamente se aprende a doutrina! Não houve necessidade de interpretação para o entendimento, não houve aprendizado, não houve prazo para estudo, mas, assim que o Espírito da verdade soprou como quis, as línguas particulares dos diversos povos se tornaram comuns na boca da Igreja.
A partir desse dia ressoou a trombeta da pregação evangélica. A partir desse dia as chuvas de graças, os rios das bênçãos irrigaram todos os desertos e a terra inteira, pois a fim de renovar sua face “o Espírito de Deus pairava sobre as águas” [2]. E, para a expulsão das trevas de antes, coruscavam os relâmpagos da nova Luz no esplendor das línguas flamejantes. Assim se manifestava a luminosa e ígnea palavra do Senhor, dotada da eficácia de iluminar e da força de abrasar, necessárias ao entendimento e à destruição do pecado.
Porém, caríssimos, embora tenha sido admirável a própria aparência desses acontecimentos e não haja dúvida de que a majestade do Espírito Santo tenha estado presente à harmonia exultante das vozes humanas, não se pense que apareceu a sua divina essência naquilo que se mostrou aos olhes corporais. A natureza invisível e comum ao Pai e ao Filho manifestou a qualidade de seu dom e de sua obra por meio do sinal de santificação que bem lhe aprouve, mas conteve em sua divindade a propriedade de sua essência.
Assim como a visão humana não pode perceber o Pai e o Filho também não percebe o Espírito Santo. Na Trindade, com efeito, nada é dissemelhante, nada é desigual, e todas as coisas que se possam pensar a respeito dessa substância não se distinguem pela excelência, pela glória ou pela eternidade. É verdade que, conforme as propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas não há divindade diferente, natureza distinta. Assim como o Filho precede do Pai, igualmente o Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho. Não como as criaturas, que são também do Pai e do Filho, mas como alguém que, como ambos, vive, é poderoso e existe eternamente, desde que existem o Pai e o Filho. Por essa razão o Senhor, quando prometeu a vinda do Espírito Santo aos discípulos, antes do dia da Paixão, disse:
“Ainda muitas coisas vos tenho a dizer: quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá para toda a verdade. Pois não falará de si mesmo, mas falará o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que deverão suceder. Tudo o que o Pai tem é meu; per isto disse que receberá do que é meu e vos anunciará” [3].
O Pai, portanto não tem algo que não o tenham o Filho ou o Espírito Santo. Tudo o que tem o Pai, tem o Filho e tem o Espírito Santo. Nunca faltou na Trindade essa perfeita comunhão; nela são uma mesma coisa “tudo possuir” e “sempre existir”. Não imaginemos sucessão de tempo na Trindade, não imaginemos gradações ou diferenças. Se, de um lado não se pode explicar o que Deus é, de outro não se ouse afirmar o que Deus não é. Seria melhor deixar de discorrer sobre as propriedades da natureza inefável de Deus, do que afirmar o que não lhe convém. O que concebem, pois, os corações piedosos a respeito da glória eterna e imutável do Pai, entendam-no ao mesmo tempo do Filho e do Espírito Santo, de um modo inseparável e sem diferença. Nossa confissão é ser a Trindade um só Deus, já que nas três Pessoas não existe diversidade de substancia, poder, vontade ou operação.
Assim, se reprovamos os arianos, que pretendem existir diferença entre o Pai e o Filho, reprovamos igualmente os macedonianos, os quais, embora atribuindo igualdade entre o Pai e o Filho, pensam que o Espírito Santo seja de natureza inferior. Eles não vêem estarem incidindo naquela blasfêmia indigna de ser perdoada tanto no século presente como no futuro, consoante a palavra do Senhor:
“A todo o que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas ao que disser contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste século nem no vindouro” [4].
Quem permanece, portanto, nessa impiedade fica sem perdão, pois expulsou de si aquele por meio do qual seria capaz de confessar a verdadeira fé. Jamais se beneficiará do perdão quem não tiver advogado para protegê-lo.
Ora, é do Espírito Santo que procede em nós a invocação do Pai, dele são as lágrimas dos penitentes, dele os gemidos dos que suplicam, “… e ninguém pode dizer Senhor Jesus senão no Espírito Santo” [5].
O Apóstolo prega de maneira evidente a onipotência do Espírito, igual à do Pai e do Filho, bem como sua divindade, ao dizer:
“há diversidade de graças, mas um mesmo é o Espírito; e há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor; e há diversidade de operações, mas um mesmo é o Deus que opera tudo em todos” [6].
Por estes e outros documentos, através dos quais, de inumeráveis modos brilha a autoridade das palavras divinas, sejamos incitados, caríssimos, unanimemente, à veneração de Pentecostes, exultando em honra do Santo Espírito, por quem toda a Igreja é santificada e toda alma racional é penetrada. Ele é o inspirador da fé, o Mestre da ciência, a fonte do amor, o selo da castidade, o artífice de toda virtude.
Regozijem-se as mentes dos fiéis com o fato de, em todo o mundo, ser louvado pelas diferentes línguas o Deus uno, Pai, e Filho e Espírito Santo; com o fato de prosseguir em seu trabalho e dom aquela santificação que apareceu na chama do fogo. O mesmo Espírito da verdade faz refulgir com sua luz a morada de sua glória, nada querendo de tenebroso ou morno em seu templo.
Foi também por auxílio e instrução desse Espírito que recebemos a purificação do jejum e da esmola. Com efeito, segue-se ao venerável dia de hoje um costume de salutar observância, que os santos julgam de grande utilidade e nós vos exortamos, com pastoral solicitude, a que o celebreis com o maior zelo possível. Assim, se a negligência vos fez contrair em dias passados algo de pecaminoso, seja isto penitenciado pela censura do jejum e pelo devotamento da misericórdia. Jejuemos na quarta e na sexta-feira, para sábado celebrarmos juntos as vigílias, com a habitual devoção. Por Cristo, Nosso Senhor que vive e reina com o Pai e o Espírito santo, pelos séculos dos séculos. Amém
[1] At 2,1-4.
[2] Gn 1,2.
[3] Jo 16,12-13.15.
[4] Mt 12,32.
[5] lCor 12,3.
[6] lCor 12,4-6.

SÃO LEÃO MAGNO, Sermão sobre Pentecostes, in: GOMES, C. Folch Antologia dos Santos Padres. São Paulo- Ed. Paulinas 1979


Os padres da Igreja sobre o Espírito Santo (VI) - Santo Agostinho (Século IV-V)

As línguas de fogo prefiguravam a Santa Igreja 



Amanheceu para nós,irmãos, o dia venturoso, em que a santa Igreja brilha nos rostos de seus fiéis e arde em seus corações. Porque celebramos aquele dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo, glorificado pela ascensão após sua ressurreição, enviou o Espírito Santo. Assim está realmente descrito no Evangelho: O que tenha sede, diz, venha a mim; o que crê em mim, que beba: de seu interior manarão rios de água viva. O explica em seguida o evangelista, dizendo: Dizia isto referindo-se ao Espírito que receberiam os que cressem nele. Mas ainda não tinha dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. Restava, portanto, que uma vez glorificado Jesus após sua ressurreição dentre os mortos e sua ascenção ao céu, imediatamente se seguisse a doação do Espírito Santo enviado pelo mesmo que o tinha prometido. Como de fato aconteceu.

Na realidade, depois do Senhor ter convivido com seus discípulos, após sua ressurreição, durante quarenta dias, subiu ao céu, e, no dia quinquagésimo, que hoje celebramos, enviou o Espírito Santo, conforme está escrito: De repente, um ruído do céu, como um vento forte, ressoou em toda a casa; apareceram umas línguas de fogo, que se repartiram, pousando sobre cada um deles. E começaram a falar em línguas estrangeiras, cada um na língua que o Espírito lhe sugeria.

Aquele vento purificava os corações da palha carnal; aquele fogo consumia o feno da antiga concupiscência; aquelas línguas em que falavam os que estavam plenos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, mediante as línguas de todos os povos. Pois assim como depois do dilúvio a soberba impiedade dos homens edificou uma grandiosa torre contra o Senhor, ocasião na qual o gênero humano mereceu ser divido pela diversidade de línguas, de modo que cada nação falasse sua própria língua para não ser entendida pelas demais; assim a humilde piedade dos fiéis reduziu essa diversidade de línguas à unidade da Igreja; de maneira que aquilo que a discórdia tinha dispersado, o reunisse a caridade; e, assim, os membros dispersos do gênero humano, qual membros de um mesmo corpo, fosse reintegrados à unidade de uma única cabeça, que é Cristo, e fundidos na unidade do corpo santo mediante o fogo do amor.

Entretanto, deste dom do Espírito Santo estão totalmente excluídos os que odeiam a graça da paz e os que não mantêm a harmonia da unidade. E ainda que também eles se reúnam hoje solenemente, ainda que escutem estas leituras nas quais o Espírito Santo é prometido e enviado, as escutam para sua condenação, não para sua recompensa. De fato, de que lhes aproveita ouvir com os ouvidos o que rejeitam com o coração? De que lhes serve celebrar a festa daquele, cuja luz odeiam?

Em vez disso vós, meus irmãos, membros do corpo de Cristo, germens da unidade, filhos da paz, festejai este dia com alegria, celebrem-no com satisfação. Em vós se realiza o que se preanunciava nos dias da vinda do Espírito Santo. Assim como naquela ocasião os que recebiam o Espírito Santo, mesmo sendo um so homem, falava todas as línguas, assim também agora por todas as nações e em todas as línguas fala essa mesma unidade, radicados na qual possuís o Espírito Santo, mas com a condição de que não estejais separados por cisma algum da Igreja de Cristo, que fala todas as línguas.”

Santo Agostinho, Sermão 271

Os Padres da Igreja sobre o Espírito Santo (V) - São Cirilo de Alexandria (Século V)


Se eu não for, o Espírito não virá a vós



        Cristo tinha cumprido a sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outra diferente, come­çando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só podia ser realizado pela participação do Espírito Santo.
        O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à ascensão de Cristo nosso Salvador.
        De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre os seus fiéis, ele mesmo, segundo julgo, dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento estabelecido para subir ao Pai celeste, era necessário que ele continuasse presente no meio de seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que pudésse­mos clamar com toda confiança: Aba - ó Pai! (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho da perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homens, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
        Não é difícil demonstrar, com o testemunho das Escri­turas, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que o Espírito transforma e comunica uma vida nova àqueles em quem habita.
        O servo de Deus Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: O Espírito do Senhor virá sobre ti e tu te tomaras outro homem (cf. ISm 10,6). E São Paulo afirma: Todos nós, porém, com o rosto descoberto, contemplamos e refletimos a glória do Senhor, e assim seremos transformados à sua imagem, pelo seu Espírito. Pois o Senhor é Espírito (2Cor 3,18.17).
        Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente ele os faz passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes, e do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma. Foi o que sucedeu com os discípulos: animados e fortaleci­dos pelo espírito, nunca mais se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo inseparavelmente uni­dos e fiéis ao amor de Cristo.
        É verdade, portanto, o que diz o Salvador: É bom para vós que eu volte para os céus (cf. Jo 16,7), porque tinha chegado o tempo de o Espírito Santo descer sobre eles.


São Cirilo de Alexandria, Comentário ao Evangelho de São João, X, 16, 6-7